quinta-feira, 23 de abril de 2015

Memória Descritiva - Proposta nº 1

No âmbito da realização da proposta número um da disciplina de Design de Comunicação Visual, foi escolhida uma música e, seguidamente, feitos alguns testes fotográficos relacionados com o tema. Posteriormente, foram utilizadas as técnicas leccionadas para a criação de uma imagem que conseguisse ilustrar tudo o que a música manifesta. Esta foi, particularmente, elegida não só pela melodia, que começa por ser calma e ao longo do tempo começa a desenvolver-se tal como o tema da mesma se desenvolve, o amor entre duas pessoas, mas também pela letra. É bastante envolvente e capta a atenção para um romance explosivo, mas ao mesmo tempo suave. 
É inevitável, o amor está presente no nosso dia à dia e quando surge uma paixão com estas características há visivelmente uma impulsividade humana incontrolável. 
Quando duas pessoas se cruzam surgindo uma química inexplicável que as prende e faz com que se queiram amar, tocar e viver loucamente a aventura que é amar alguém, não há nada a fazer. Nada pode mudar o destino. 
Nesta música estão presentes vários elementos caracterizadores e contrastantes deste tema. O fogo, o toque, a luz, a escuridão, a dor, a cor do sangue. Todo um jogo de cores, luzes e gestos que definem verdadeiramente o sentimento que mais nos une uns aos outros. 
Luís Vaz de Camões citou, “O amor é fogo que arde sem se ver, É a ferida que dói e não se sente. É um contentamento descontente; é dor que desatina sem doer”, tal como a letra da música faz transparecer. Tanto rompe a dor de um ser, como consegue fazer dele o mais feliz. Na verdade, o amor é isso mesmo, o tal contraste entre o paraíso e o inferno, o fogo e a água. 
Para a realização da capa da proposta recolhemos elementos que achamos, consideravelmente, importantes e essenciais para a ilustração do tema. 
O coração de fogo simboliza a paixão que surge sem avisar e cada vez se torna mais forte, daí as cores quentes, o fogo e a textura. É utilizada a técnica de difusão para realçar o sentimento e o calor. Este elemento surge com inúmeras curvas, tal como a música sugere. 
O pôr-do-sol é um elemento importante, uma vez que é a passagem do dia para a noite, as cores realçam essa mesma passagem e sugerem um ambiente mais romântico, tranquilo e suave, como no início da melodia. 
O casal em contraluz remete-nos para a luz e a escuridão, assim como a letra indica. Estão também a deixar transparecer um pouco a paisagem, porque embora estejam no mundo real, quando duas pessoas se juntam assim não há volta aa dar, desaparecem e mais nada interesse. São as personagens principais, visto que a música se foca muito na palavra “tu”. O toque e o facto de os corpos estarem juntos tem um significado de atração, envolvimento e necessidade. A música exige a singularidade de duas pessoas no “meio do nada”. Dois anónimos a olhar para a linha do horizonte, aqui a demonstrar o equilíbrio, a magia e o que poderá estar para lá do mesmo. Daí, esta simplicidade e a não uniformidade da cor dos corpos são propositadamente aplicadas. 
A suavidade do fundo deixa-nos a pensar, sonhar com um paraíso pouco provável de existir em terra. Daí a espera falada na letra, o que poderá estar para lá da linha do por do sol, do horizonte. É uma linha horizontal que pode ser comparada também à letra que se mantém fiel ao tema desde o início ao fim. O navio é a demarcação de uma viagem a dois, o amor é isso mesmo. 
O mar é o marco das ondas, que nos empurram para as ondas sonoras da melodia que também tem altos e baixos como próprio amor, embora indique também a sensação de profundidade. 
O objetivo desta imagem como capa é a utilização da técnica Agudeza para que haja uma fácil interpretação do título da música, isto é, Love me like you do. 
Embora o tema seja o amor, a melodia em conjunto com a letra formam tudo o que pretendemos transparecer na imagem. A música também é capaz de unir pessoas, fazer com que elas mudem de lugar, sonhem e partam numa viagem que só elas próprias conseguem aventurar-se. Faz-nos vibrar. Uma imagem sem som nunca “diria” tudo o que consegue neste jogo de alianças entre o que vemos na imagem, neste caso em fotografia, e o que nos fica no ouvido e no pensamento. 
A música e a imagem completam-se formando um uníssono que através de várias técnicas de expressão fazem transparecer, contudo, cada um sente, vê, ouve e imagina à sua maneira. Cada imagem é única, cada melodia única é e as palavras dizem o que fica por “mostrar”. 

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